quarta-feira, agosto 25, 2010

Entrando na loucura

Comecei neste semestre a ter aulas da matéria Figurino e Maquiagem, que serão de suma importancia para o meu TGI, visto que o tema do mesmo é figurino.
Segue a dissertação acerca dos aspectos psicologicos do primeiro trabalho, Alice no Pais das Maravilhas.

Alice, apesar de sua imaturidade, já possui certo discernimento entre o certo e o errado. Prova disso é, logo no começo, seu comentário com a gata Diná, de que era errado entrar numa festa sem ser convidada e que curiosidade não se trata exatamente de uma virtude. Ao beber da poção e comer os biscoitos, percebendo que não tem controle sobre como dosar tais elementos para balancear seu tamanho, cai em si de que esta numa enrascada, e põe-se a chorar.Um mar de lágrimas, no qual quase se afoga. Neste momento podemos perceber o que acontece na vida real durante a adolescência, talvez: a descoberta de situações nas quais é necessário distinguir a atitude certa a ser tomada, e a profusão de hormônios, a falta de conhecimento sobre os mesmos, bem como os efeitos por eles causados no corpo e na mente.
Os gêmeos Tweedle-Dee e Tweedle Dum, apesar de testarem a paciência, servem também como alerta. Percebe-se isso quando contam a história da foca, do carpinteiro e as ostras curiosas. Apesar disso, Alice age como aqueles que nunca pensam que a história alheia pode tornar-se a sua. Mais um indício de imaturidade.
Situação em que se coloca entrando curiosamente na casa do Coelho, sem ter sido convidada. Alem de acabar presa dentro da casa por pouco não coloca sua vida em risco, por conta de estranhos que, mesmo com boas intenções, acabam não tendo a melhor das idéias para solucionar o problema.
A passagem de seu encontro com as flores cantoras mostra a dificuldade de ingressar em determinados grupos cuja identidade se dá pela aparência de seus membros, apesar de por acaso o líder do grupo simpatizar com um rosto novo. Por não fazer parte do gênero das flores, mesmo sob protestos da rosa regente da orquestra, Alice é excluída. “A gente realmente aprende muito com as flores”.
A Lagarta pode simbolizar a parte da vida em que se busca respostas para as perguntas mais complexas, sendo que as respostas na maioria das vezes encontram-se dentro de cada um. “Quem és tu?” ela indaga, e justamente descobrir a própria identidade, personalidade, valores, opiniões, princípios é as vezes a coisa mais difícil a ser feita. Seu encontro com Alice de novo nos mostra mais um aspecto da infantilidade: falta de paciência em escutar alguém com mais sabedoria, e suas respostas, e não levar em conta gentilezas como perceber que este alguém tem suas manias, seu humor e, como na maioria das vezes, gosta que prestem atenção ao que está falando. E que, acima de tudo, leve a sério. Mas, como um adolescente começando a levar em conta a opinião daqueles que tem mais conhecimento, Alice volta e ouve da Lagarta, apesar de sua falta de polidez em se dirigir a mesma, aquele que talvez seria o mais importante conselho que lhe fora dado até então.
Mesmo munida dos dois pedaços de cogumelo que lhe permitem controlar seu “tamanho”, ainda assim Alice não aprendeu o que fazer com eles. Chega á encruzilhada, aonde lhe são mostrados diversos caminhos a serem seguidos, acaba se encontrando com o Gato de Cheshire que, diante da falta de precisão em dizer-lhe qual caminho gostaria de seguir, termina por indicar-lhe realmente qualquer um, apesar de estar ciente de que Alice está seguindo o Coelho. Nisto, pode estar subentendido o dilema que muitos adolescentes vivem: seguir o próprio conselho ou ir pelo conselho dos outros? O Gato lhe indica O Chapeleiro Maluco. Alice recusa, se é maluco então não. A Lebre por ser maluca também não serve.Mas, se todos ali são daquele jeito do Gato, melhor fazer o que estão indicando. Dessa forma, Alice depara-se com aqueles que seu juízo havia lhe dito para evitar. Ao sentar-se na mesa em que o Chapeleiro Maluco, a Lebre e o Rato tomavam chá, é trazida a tona novamente á tona a questão do certo e do errado.E Alice tem sua primeira oportunidade de pedir desculpas por auto-convidar-se, elogiando os anfitriões. Mas acaba por provocar uma balbúrdia, que mais tarde reconhece ter feito por falar sem pensar. Quando Alice percebe que é hora de partir, quem aparece é o Coelho, como que um lembrete do porque fora parar ali. Sem levar em conta os ensinamentos através do que considerou um episódio ridículo, ela segue atrás de seu objetivo.
Num espasmo de lucidez, resolve voltar para casa, cansada das “maluquices” do lugar, e desistindo de saber para onde o Coelho foi. Se perdendo em busca do caminho de volta, ela deseja que as coisas voltem a ser como eram. Começa a apegar-se ás lembranças do que faz parte de sua vida, como a gata Diná e a hora do chá. Alice em sua confusão acaba por tomar o primeiro caminho que lhe indicam, sem antes averiguar que o mesmo seria interrompido e, resolvendo ficar parada até que alguém a busque, vai de encontro a depressão. Isso nos mostra a típica situação em que resolvemos fechar-nos dentro de nós mesmos esperando que alguém venha resolver as coisas, sendo que a atitude a ser tomada é o oposto. Alice tem consciência de que só ela mesma pode resolver o problema, admite que se tivesse mais cautela não teria se colocado em tal situação. E reconhece sua falta de responsabilidade para com todas as vezes em que sabe que não deveria tomar determinadas atitudes e ainda assim age de forma inconseqüente.
Nisso, quem vai em seu auxilio é o Gato de Cheshire. Ainda lhe instigando sobre o Coelho, ignora o fato de que a menina decidiu-se em voltar para casa e mostra-lhe o caminho para a Rainha de Copas, com quem segundo ele a menina se daria bem. Deparando-se com as cartas de paus que mostram uma situação muito conhecida, Alice de imediato resolve ajudá-las em sua missão: a de querer encobrir erros “dando um jeitinho” de disfarçá-los. As cartas já sabem que destino lhes espera caso sejam apanhadas em flagrante, mas ainda assim continuam suas atividades. No meio da confusão que se segue, Alice finalmente descobre para onde ia o Coelho apressado durante toda a história: anunciar a chegada da Rainha de Copas, personagem que se mostra a personificação da mente sistemática e megalomaníaca, que pertence a uma pessoa que no fundo não é má, apenas passa essa impressão por ser louca e objetiva a tal ponto de não enxergar obstáculos em nome do que quer, ou em nome do modo como quer que as coisas sejam feitas, mesmo que para isso as cabeças tenham de rolar não importa a quem pertençam. Pois na verdade, para ela tudo ali a pertence. Em sua cegueira, ela se torna tão alheia a realidade a ponto de não perceber que inspira apenas temor á sua volta, de modo que as criaturas de seu reino e até mesmo o Rei se resignam a sempre fazerem com que as coisas saiam de modo a agradá-la.
Tal como uma mente manipuladora, o Gato de Cheshire está ali mais uma vez para ver como as coisas estão fluindo. Indaga se por acaso o relacionamento de Alice com a Rainha está saído como o previsto, e diante da negativa da menina, instiga-lhe o que pode ser sua ruína : desafiar a moral e a autoridade da Rainha, que por sua vez é a juíza de seu próprio tribunal e sempre consegue reverter os fatos de uma forma a decretar uma sentença que lhe favoreça. Não importa o mero detalhe de que o Rei lhe lembra de convocar as testemunhas e as constantes reverencias de Alice, a sentença só pode ser uma e nunca á favor do réu, que tampouco tem o direito a palavra ou a defesa.
Uma última vez, sob influencia do Gato, Alice prova que ainda não toma cuidado com o que diz, e nem aprendeu a equilibrar o poder sobre si mesma do qual dispunha. Engole de uma vez as duas partes extremas do cogumelo, sem lembrar de que a Lagarta lhe explicou que uma parte a faria crescer e a outra diminuir, e perde completamente o controle da situação, ofendendo a Rainha enquanto é maior que ela, e quando repentinamente diminui não lhe resta outra alternativa senão fugir, o que ela faz. Durante seu caminho de volta, passa novamente por todos os lugares que visitou, pelas criaturas que conheceu e, ao passar pela ultima vez pela Lagarta (já transformada em borboleta) e lhe fazer uma pergunta, mais uma vez recebe como resposta que as repostas para as perguntas estavam dentro dela mesma. Alcançando a Maçaneta da porta por onde entrou, finalmente consegue acordar a si mesma.
Diante de tal dissertação, é possível levantar a hipótese de que Alice no Pais das Maravilhas é uma critica construtiva á situação em que a maioria das pessoas se encontra no período da adolescência. A curiosidade em descobrir mais acerca do desconhecido, por meio de toda a viagem seguindo Coelho, os perigos que podem advir da influencia de terceiros, representado pelo Gato de Cheshire e pelo conto dos Gêmeos, o erro que cometemos ao não levar em consideração a sabedoria de quem tem mais experiência de vida, bem como a falta de paciência diante de suas lições.O perigo de cair em depressão, por tomar caminhos desconhecidos devido a falta de armazenamento dos conselhos dados e até mesmo de colocar a própria vida em risco. Algo a qual todos estão sujeitos neste momento da vida , até que aprendam a manipular em favor de si mesmos o pedaço do cogumelo que faz crescer e o pedaço que faz diminuir.